• Paula Martin

Estilo realmente não se compra - nem com muito dinheiro

Será que estilo tem a ver com roupas novas – ou valor expresso em suas etiquetas? Na minha humilde opinião não tem.

Estilo a ver com personalidade, com a habilidade de combinar peças, de usar o que você vai absorvendo na vida, as coisas que vai aprendendo, vivendo, as coisas que gosta e que não gosta.

Tem a ver com os livros que você lê, com as músicas que você ouve, com as suas amigas, com as coisas que você gosta de fazer, os artistas que curte, as plantas que você tem, mas não, em última análise estilo não tem a ver com etiquetas de roupas.




A ideia de criar etiquetas para roupas partiu de um alfaiate incrível chamado WORTH (1825-1895) que gostava muito de REMBRANDT, e que acreditava que assim como pintores assinavam suas obras, estilistas (até então alfaiates) também deveriam assinar as suas obras de artes, ou seja: as roupas.


Onde eu quero chegar?

Gastamos muito tempo e energia conectando MARCAS e ETIQUETAS a ESTILO.

Quer dizer, se você está lendo esse post e acha que marcas e etiquetas te definem, não vá embora não, mas de uma lida em outros posts do blog, conheça o Instagram do Armário Coletivo Floripa , procure entender o quanto a Indústria da Moda é cruel e o quanto ela nos faz acreditar que precisamos consumir itens que não irão mudar em nada nossas vidas.


Somos treinados a acreditar que precisamos de tantas coisas que não precisamos.


Os números expressos na etiqueta da sua roupa não definem se ela é legal ou não, ou não precisam definir.


O problema é que vivemos em uma sociedade dominada por mídias sociais (onde a maioria das pessoas vive suas vidas mais online que OFFLINE) e aí viver se comparando a outras pessoas (normalmente pessoas que vivem de PUBLIPOSTS, ou seja, que ganham roupas de marcas) te coloca dentro de um ciclo vicioso onde você não consegue nem parar de se comparar, nem parar de comprar.



Será mesmo que não dá pra investir mais tempo em fazer outras coisas? Será que ao invés de passar tanto tempo no shopping não vale dar um pulo em um dos 14 armários espalhados pela cidade e dar uma olhada se alguma das peças de agrada? Será que você não pode compartilhar roupas com as amigas, com as primas?


Elas podem não ter a etiqueta que a blogueira X indicou, mas ela pode ficar muito legal na sua vida. Será que ela não é o que estava faltando no seu armário?


E caso não tenha Armário Coletivo na sua cidade que tal antes de comprar uma peça nova, você não passe uma tarde com as amigas e TROQUE PEÇAS QUE NÃO FAZEM SENTIDO PARA VOCÊ? ASSIM VOCÊ ESTARÁ FAZENDO PEÇAS CIRCULAREM E FAZEREM SENTIDO PARA OUTRAS PESSOAS.


Sim, pare um pouco, respire e pense: que tal parar para dar uma olhada nas coisas que você já tem? Não adianta jogar tudo fora pra sair comprando tudo novo, além de custar um monte de dinheiro, você vai estar criando um monte de lixo – e não é nada sustentável fazer isso, mesmo que você compre de marcas sustentáveis.



O mais sustentável mesmo, é olhar para dentro do seu armário com carinho, cuidar do que você tem, separar o que não faz mais sentido pra você (não adianta passar pra frente coisas que em menos de um mês você irá querer ter novo, isso chama jogar dinheiro fora!) e trocar, compartilhar, FAZER A PEÇA CIRCULAR E PROLONGAR AO MAXIMO O CICLO DE VIDA DA PEÇA.


As roupas são automaticamente ressignificadas ao entrarem dentro do armário de outra pessoa, são outras peças, outros acessórios, outras referências.

As vezes a gente dá uma peça pra uma amiga e ela usa de um jeito tão legal que a gente até se arrepende de ter dado né?


Por isso que as vezes o que falta não são roupas novas, é CRIATIVIDADE, é ter um NOVO OLHAR, pensar em novas maneiras de combinar peças, adicionar uma terceira peça, pensar em jeitos criativos de dar bossa aos seus looks do dia-a-dia.

Estão vendo como saímos do tema etiqueta e já estamos falando de estilo?


Estilo não se compra, se adquire, se aprimora, é a parte da moda que faz a gente se divertir, sabe? É o que nos faz a gente se sentir única, ou pelo menos na minha opinião, é o que diferencia a moda do consumo, separando essa parte macabra da parte mais linda e divertida da moda.


Estilo está longe de ser só roupa, é o nosso jeito pessoal de ver o mundo, nossas ideias, nossas escolhas e não podemos deixar que etiquetas, marcas e tendências nos limitem.



Precisamos nos libertar, ser menos refém dessa moda comercial, desse consumismo maluco que só quer vender TUDO e aprender a usar as roupas para expressar o nosso universo pessoal de referências.


Em um curso muito bacana, aprendi que nós já existimos, são as roupas que tem que se adaptar a gente.


Mas o mais importante de toda essa conversa é ter em mente, sempre, que ESTILO NÃO SE COMPRA e que não precisamos ter um armário cheio de coisas e mesmo assim não ter nada para usar.


Não adianta gastar rios de dinheiro com roupas e mesmo assim continuar sem saber como montar looks legais, o nível de “legal” dos seus “looks” não é definido pelo preço da etiqueta (que eu inclusive corto, ou seja, elas são inúteis).


Use o que você tem, se divirta com as suas roupas, troque com as amigas, tente fugir do ciclo toxico que a Industria da Moda tenta nos inserir desde que nascemos. Faça escolhas conscientes, dê valor ao seu dinheiro e ao seu tempo – aprenda a se amar mais, a fazer coisas que te deem prazer e não envolvam consumir, não faça a sua autoestima ser dependente das suas roupas.


Ah, e saiba que as vezes, roupas furam, rasgam, etc... e não, você não precisa jogar fora: você pode costurar, colocar um pin, mandar pra costureira. Vamos ser responsáveis! Comprar menos, usar mais o que já temos, e pensar em maneiras legais de usar o que já temos: pode ser muito legal!


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