• Paula Martin

Já parou para pensar no impacto das suas roupas no meio ambiente?


Você sozinh@ não é culpad@ pelas práticas insustentáveis da Industria Têxtil, nem pode ser responsabilizad@ pelos impactos ambientais negativos dela, mas precisa ter em mente como consumidor é parte chave no processo de consumo.



A Industria Têxtil é responsável por cerca de 10% das emissões de gases de efeito estufa decorrentes da atividade humana.

Há maneiras de diminuir o impacto do seu armário sobre o clima, e a primeira delas, é repensar velhos hábitos de consumo que incluem o consumo compulsivo de coisas.



A indústria da moda como um todo produz mais de 150 bilhões de peças de roupas novas por ano e cerca de 12 bilhões de quilos de roupas usadas acabam em aterros sanitários: até 87% de todos os produtos têxteis acabam em aterros sanitários todos os anos.


A Industria da Moda é a segunda maior poluidora de água, sendo responsável por 20% das águas residuais em todo o planeta: 70% dos rios e lagos na Ásia estão poluídos, comprometendo a vida das comunidades locais.



A complexidade da cadeia de fornecimento da Industria da Moda, a competição por oferecer produtos a preços baixos e produzidos com rapidez para alimentar a sede eterna pelo consumo que parece ter dominado grande parte dos indivíduos na sociedade contemporânea.



A ONU estima que para a produção de uma calça jeans seja necessário 1 quilo de algodão. Algodão costuma crescer em climas secos, e para a produção desse quilo de algodão são necessários 7.500-10.000 litros de água: isso é o que uma pessoa consome em 10 anos. (BBC)



O Jeans é um grande desafio para a Industria Têxtil – apesar de ter se tornado figurinha carimbada nos armários ocidentais nas últimas décadas, a Indústria do Jeans causa impactos negativos severos ao meio ambiente.


A cidade de Xintang, no sul da China, capital mundial do Jeans, sofre até hoje as desastrosas consequências da falta de consciência ambiental das autoridades e da legislação, mas também de grandes empresas que ignoram as condições sob as quais seus produtos são produtos a fim de obter o melhor preço do mercado.



O documentário O Preço do Blue Jeans (Der Preis der Blue-Jeans) do alemão Michael Hoft de 2012 mostra trabalhadores sem equipamentos de segurança, fábricas operando sem oferecer o menor nível de segurança a funcionários, dispensando indiscriminadamente em rios e afluentes água residual com inúmeros produtos químicos nocivos a sáude humana, de outros bichos, e ao meio ambiente.



Em outro documentário mais recente, de 2017, RiverBlue, deixa claro o hidrocídio que está sendo cometido em nome do lucro das grandes marcas de varejo.


Culpar as autoridades e pedir mais regulamentações é indispensável, mas é importante ter em mente que essas empresas que escolhem o menor custo de produção optam por financiar práticas não sustentáveis de produção. Produzir peças que custam a saúde das pessoas envolvidas na produção, assim como a do meio ambiente, não é uma opção aceitável.



Repensar a forma de produção é um passo importantíssimo – as empresas precisam ser responsabilizadas pelas escolhas que fazem e pelos impactos ambientais que causam.

É indispensável revermos o modo de produção atual, insustentável, baseado em produção, consumo e descarte excessivos.


O consumidor não pode carregar sozinho a culpa ou a intenção de salvar o meio ambiente. No entanto, quando começamos a questionar os mecanismos por trás da indústria da moda, nos deparamos com questões que nos fazem rever velhos hábitos.


Entender a forma como as suas roupas são produzidas, onde são produzidas, em quais condições, quais os materiais utilizados, a condição de trabalho dos funcionários é justa, a relação que essa empresa e seus fornecedores tem com o meio ambiente (isso normalmente se reflete em materiais escolhidos, qualidade das peças) é INDISPENSÁVEL para consumir de maneira mais ética.

O consumidor não precisa carregar o peso da destruição ambiental SOZINHO, mas pode exigir mudanças estruturais.


Mudar os padrões de consumo para que o meio ambiente não seja tão sobrecarregado é tarefa dura, quase impossível, quando se tem em vista que o consumidor é bombardeado de propagandas o tempo inteiro em todas as suas esferas sociais.


O consumidor virou produto nas mídias sociais, e continua consumindo enquanto é consumido.

Ao repensar a sua relação com o consumo, e até mesmo a relação que você tem com as coisas, a frequência que você compra itens de vestuário (e outras coisas também) – entender como você se comporta no meio do bombardeio de propagandas às quais estamos excessivamente expostos.


Não é fácil dizer não, mas faz bem.



Aprender a diminuir a velocidade de consumo, para não ser consumido pelas coisas que o mercado faz a gente acreditar que precisa. Repense velhos hábitos, faça escolhas conscientes.


Compre menos, use o que você tem, prolongue o máximo a vida das suas roupas - está nas suas mãos!


Paula

@plabsb

@slowfashion.brazil

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